05/03/11

AAC 0 - 0 UDL: análise ao jogo e classificação dos intervenientes

Apreciação global

As infelizes 3066 almas que marcaram presença no ECC nesta noite gelada de Março, ainda estarão, como eu, a amaldiçoar as duas horas do seu fim-de-semana que desperdiçaram para assistir a este “jogo”. Para os sortudos que não puderam ou não quiseram assistir a este espectáculo deplorável, creio conseguir resumir o jogo no seu próprio resultado: ZERO...

O ponto atribuído a cada uma das equipas penaliza (ou premeia?) a pura e total falta de respeito com que trataram aquele que muitos consideram “o espectáculo mais belo do Mundo”. Entre uma equipa que só se preocupou em guardar a sua baliza e praticar anti-jogo e outra que, embora demonstrasse, a espaços, alguma intenção de atacar, denotava uma gritante inépcia e falta de objectividade, pode dizer-se, com inteira justiça, que o futebol não apareceu hoje no ECC... Uma perfeita e completa nulidade: ZERO... Um verdadeiro hino àquilo em que se transformou o nosso campeonato (e depois queixam-se da falta de espectadores nos estádios...). Só mesmo o meu amor doentio a este clube me manteve naquela bancada (e aproveito para pedir desculpa àqueles que arrastei comigo para uma tortura desta magnitude, prometo que não volta a acontecer...).

Dito isto (porque tinha mesmo de ser dito), vamos à (curta) história do “jogo”.

O “pacto de não agressão” subscrito por ambas as equipas esteve oculto até aos 15’ de jogo. Nesse curto período, parecia que as equipas queriam lutar pelos 3 pontos: o jogo começou bastante aberto, numa toada de ataque-resposta, o que, assim por alto, deve ter dado 3 ataques da Briosa e 2 do UDL. E pronto, com uma honrosa excepção (o cabeceamento de Luiz Nunes à trave), não se viu mais futebol (da próxima vez, sugiro que acabem o “jogo” logo ali e devolvam o dinheiro aos espectadores: 1 ponto para cada um e poupavam-nos o suplício...).

O que aconteceu, então, no hiato temporal entre os 15 e os 90’? NADA... O UDL “escondeu-se” no seu meio-campo (defendeu mesmo com 11 jogadores, acho que nunca tinha visto tal coisa...) e entregou a iniciativa de jogo à Académica (hoje, nada “Briosa”...), que nunca escondeu uma inacreditável incapacidade atacante. Muito jogo para trás e para os lados (só por curiosidade, passei os olhos pelas estatísticas oficiais do site da LPFP e descobri que 49%! dos nossos passes foram feitos para os lados e 18% para trás...), pouca certeza no passe e uma construção atacante pouco incisiva e nada objectiva.

E pronto, com o UDL a jogar “para o ponto” e a Académica sem ideias, o 0-0 acaba por não ser surpresa para ninguém (aliás, os 29! pontos que aquela equipa já amealhou são um enorme mistério: creio nunca ter visto uma equipa tão fraca nesta temporada – apesar de terem perdido Silas, Carlão e Cássio). Já assisti a muitos jogos de futebol fraquinhos, mas este entra, sem espinhas, para o top5...

O treinador e a arrumação táctica

Depois do jogo com o VSC, em que decidiu (bem) não “inventar” na construção da equipa, esperava-se que o aumento quantitativo e qualitativo das opções permitisse a Ulisses Morais lançar em campo uma Académica na sua máxima força, com os seus melhores executantes. No entanto, o nosso treinador resolveu, desta feita, seguir um caminho diferente...

Pelos nossos alinharam de início: Peiser; Pedrinho, Berger, Luiz Nunes e Addy; Adrien, Diogo Gomes e Hugo Morais; Sougou, Éder e Diogo Valente. É o treinador que trabalha com os jogadores durante a semana e por isso será sempre ele o mais capacitado para decidir quem está em melhores condições para entrar em campo. Ainda assim, há erros de casting que saltam à vista... Em que universo é que Addy é melhor lateral-esquerdo que o Hélder Cabral? Como é que o Diogo Melo começa o jogo no banco e o Hugo Morais a titular? Dou de barato que U.M. acabou de chegar ao clube e tenha resolvido manter a equipa que venceu o último jogo, mas se temos melhor, porque não colocar o melhor em campo?

Curiosamente, também a nível táctico não se verificaram alterações em relação ao último jogo.

Alinhámos de início num 4-3-3 de matriz defensiva, com os três médios jogando muito juntos em “triângulo”, com Adrien e Diogo Gomes (?) na base, como pivôs defensivos e Hugo Morais um pouco mais avançado (estes últimos trocavam frequentemente de posição). Nas transições ofensivas a equipa estendia-se (cautelosamente) com a subida simultânea dos alas, um lateral alternadamente - consoante o flanco utilizado – e um (!) médio no apoio aos avançados (quando uma equipa ataca assim e a outra defende com 11, o resultado tem mesmo de ser o 0-0!). Queria, também falar das fases defensivas, mas nem deu para ver, porque o UDL não atacou (e quando o fez foi de bola parada bombeada para o meio-campo da Briosa - e se não acreditam, vejam as estatísticas do jogo...). Mau demais...

Tenho ainda outro reparo: é preciso treinar cantos e cruzamentos para a área em geral. É inadmissível que numa equipa de 1ª Liga os jogadores não consigam fazer um centro em condições (conheço jogadores das Distritais que os fazem de olhos fechados!). Por isso é que em 9 (!) cantos apenas em uma ocasião a bola chegou a um jogador da nossa equipa...

Por outro lado, aquela combinação no livre marcado por Diogo Melo aos 55’, denota trabalho e isso é de saudar.

E pronto, quem “ataca, defendendo” contra uma equipa que só defende, “arrisca-se”, de facto, a não sofrer golos (e pelo que li do flash interview, o objectivo era principalmente esse), mas também não os marca e não ganha o jogo (não se pode jogar em casa contra uma equipa fraquíssima com os mesmos princípios tácticos que se utilizam para jogar fora com o 4º classificado...). NOTA 2

Árbitro

Uma vez que vi o jogo no estádio, não tenho a percepção adequada do trabalho de Bruno Esteves. Ainda assim, posso apontar-lhe um erro: aos 55’, Marcos Paulo corta em falta um contra-ataque rápido da Briosa e é-lhe perdoado o cartão amarelo; passados 2 minutos, o mesmo jogador, num lance a papel-químico volta a fazer falta e vê (bem) o cartão amarelo (seria o segundo caso não tivesse havido condescendência no 1º lance!). Mas também perdoou um amarelo a Sougou em jogada idêntica...

Além disso, ficaram-me dúvidas quando Miguel Fidalgo cai na área aos 88’, mas, sem repetições, aceito o julgamento.

De resto, só esteve mal (muito mal!) na colaboração com o anti-jogo praticado pelo UDL no final (mas até lhe agradeço porque 93’ daquele “futebol” já foi muito tempo). NOTA 3

Os jogadores, um a um

Peiser: Estamos habituados a uma “folha de serviço” repleta de grandes defesas e acções providenciais. Provavelmente, se tivesse oportunidade, ontem não seria excepção. Todavia, o Leiria acertou apenas uma vez na sua baliza: um remate (passe?) inofensivo, na cobrança de livre, aos 25’. De resto, admiro-lhe a resistência, uma vez que estava frio de mais... Já leva dois jogos sem sofrer golos. Tranquilo. NOTA 3

Pedrinho: Teve o azar de apanhar no seu raio de acção o único jogador do UDL capaz de fazer alguma coisa com uma bola de futebol: Rúben Brígido (fixem o nome...). Sendo verdade que perdeu alguns lances para a velocidade e técnica daquele jogador (raramente teve a ajuda de Sougou), também é verdade que foi conseguindo fechar o seu corredor. Subiu pouco e nem sempre bem, mas o elevado índice de recuperação de bolas (26!), justificam a sua nota. Batalhador. NOTA 3

Luiz Nunes: Continuo a dizer que não compreendo a ostracização de que tem sido alvo. Voltou a fazer um jogo seguríssimo, cortando e aliviando um sem número de bolas. A sua evidente lentidão é compensada pelo seu sentido posicional e pela sua lucidez e experiência. Além de ter cumprido na defesa, ainda teve na cabeça a única oportunidade de golo do jogo, atirando à trave (aos 35’). Um dos melhores em campo. NOTA 3,5

Berger: É um óptimo central. Corta bolas em catadupa, corre quilómetros nas “dobras”, está sempre no caminho da bola. É imprescindível na nossa defesa. “Secou” Fabrício e Cacá e ainda se aventurou no meio-campo adversário. Hoje não mostrou tanta clarividência na escolha dos locais para onde “cortou” as bolas, mas quando não se pode jogar bonito, mais vale não inventar. Bom jogo. NOTA 3

Addy: A menos que Hélder Cabral estivesse com problemas físicos, não compreendo a sua titularidade. Se a defender não teve grandes problemas (e ainda deixou fugir Leandro Lima uma ou duas vezes), foi um desastre a atacar. Perdeu um número absurdo de bolas, errou demasiados passes e não conseguiu combinar com D. Valente. Quando a bola lhe chegava, enviava-a, sem excepção, para trás ou para o lado (parecia que “queimava”...). Para mim, não tem, sequer, lugar no plantel. Péssimo. NOTA 2

Adrien: Estava a ser o motor da equipa e o grande responsável pelo bom início da equipa até fracturar o 5º metatarso do pé direito. Saiu e foi rendido por Diogo Melo. Desejos de rápidas melhoras. NOTA 2,5

Diogo Gomes: Fez o jogo que caracteriza a exibição da equipa: atabalhoado, trapalhão, pachorrento e sem ideias. Nota-se que o futebol está lá, mas hoje não saiu. Uma boa jogada de insistência aos 14’ e um remate fraco aos 79’ é tudo o que guarda deste jogo. Fraquinho. NOTA 2,5

Hugo Morais: Também não compreendo a sua titularidade: pouco clarividente a sair para o ataque e muito lento a recuperar, é um jogador a menos em campo. Falhou inúmeros passes, deixou-se antecipar várias vezes e esteve mal a ocupar os espaços. Teve um bom cruzamento aos 31’, um remate precipitado aos 39’ e um livre bem marcado a que Sougou não soube dar sequência aos 44’. Mau demais. NOTA 2

Sougou: Muito veloz, como sempre, foi o único elemento do ataque da Briosa que provou saber o caminho para a área adversária. “Meteu no bolso” Patrick (90’), Hugo Gomes (28’) e Iturra (10’), mas depois quase nunca conseguiu dar o melhor seguimento às jogadas. Acabou por se diluir na pasmaceira geral e perdeu algumas bolas. Ainda assim, se todos tivessem jogado como ele, tínhamos ganho. Incisivo. NOTA 3

Diogo Valente: Foi outro dos que não esteve no relvado hoje. Perdeu jogadas atrás de jogadas, não conseguiu combinar nem com Addy, nem com Pedrinho e nem nas bolas paradas esteve ao seu nível. Um “apagão” completo... Saiu (tarde) aos 72’ para entrar Laionel. Inócuo. NOTA 2,5

Éder: A contrastar com o que fez na semana passada, não conseguiu entrar no jogo. Não ganhou bolas, não se desmarcou, não pressionou e nem sequer chegou a rematar nos 62’ que esteve em campo. Inofensivo. NOTA 2

Diogo Melo: Não compreendo como começou o jogo no banco! Não seria melhor ter começado na posição “8” em vez de Hugo Morais? Bem, o certo é que, por força do infortúnio de Adrien, entrou aos 15’ e ainda conseguiu afirmar-se como “Melhor em campo”. Correu, lutou, recuperou bolas (20!), iniciou ataques, cobriu as (constantes) asneiras dos colegas de sector e ainda foi o mais rematador. Teria, ainda, marcado um golo na marcação daquele livre aos 55’, se não fosse o pé de Patrick... Grande jogo! NOTA 3,5

Miguel Fidalgo: Entrou ao minuto 62’ para render o apagado Éder. Conseguiu fazer pior... NOTA 1,5

Laionel: Como de costume, entrou cheio de velocidade aos 72’ para substituir Diogo Valente. Trouxe irreverência e velocidade, mas não conseguiu alterar o rumo dos acontecimentos. Tardio. NOTA 2,5

Como apreciação final, espero sinceramente não voltar a presenciar um espectáculo tão pobre (mesmo a grande Mancha Negra merecia melhor prenda de aniversário...). É que assim dá que pensar se valem a pena as idas ao estádio, as horas "perdidas" no blogue e o sofrimento constante...

Compreendo que com mais 3 ou 4 pontos estamos “a salvo”, mas é de notar que, dos jogos que faltam, apenas Portimonense e Setúbal são adversários nitidamente inferiores (e são inquestionavelmente superiores ao UDL...). Às vezes a falta de ambição paga-se cara...

Saudações Académicas,

Pedro Monteiro Almeida

6 comentários:

Anónimo disse...

Concordo com quase tudo, a saida do adrien fez perder a qualidade ofensiva, o diogo gomes e addy não estiveram em campo. Falhamos naquilo que se deve fazer com estas equipas remates a entrada da área, o problema é que fizemos poucos e os que fizemos foram fracos. A culpa maior nem é do treinador, mas sim do jogadores que mão jogaram.

Pedro Santos disse...

Eu também não entendia porque é que não se contava com o Luiz Nunes, jogador que sempre achei muito competente e cheio de experiência. No entanto parece que não é apenas o problema do excesso de peso que o tem colocado de fora das opções dos vários treinadores. Sem haver confirmações oficiais (como é habitual na nossa Instituição), fala-se que ele tem um problema crónico nas costas que pode manifestar-se a qualquer momento. Se puxarem pela memória lembrar-se-ão que na época passada esteve várias semanas lesionado com uma lombalgia... Será verdade? Não sei e, sinceramente, espero que não seja, porque considero que faz com o Berger a melhor dupla de centrais da Briosa (de longe).

jprs disse...

Epá eu não concordo nada com a avaliação ao Addy. Eu gostei e muito dele na segunda parte. Em termos ofensivos foi dos jogadores mais dinâmicos da equipa embora tendo em conta a capacidade ofensiva da equipa não seja grande elogio. Mas pronto são opiniões. Por exemplo o jornal a bola referenciava o Morais como o melhor em campo e aqui foi dos que teve piores notas o que também não concordo. O Melo sim, fez um bom jogo.
Cumprimentos

Miguel disse...

O Diogo Melo tem que ser titular! E admiro muito mais o Addy do que o Cabral

Abraços

mitic0 disse...

Mais uma douta análise.

Concordo em tudo, inclusive no Addy, que na minha opinião fez um jogo lastimável.

pmalmeyda disse...

Ok, são opiniões... De qualquer forma, temos de concordar que é preciso fazermos bem mais e bem melhor. O que aconteceu ontem foi a mais pura negação do que deve ser o futebol... Oxalá façam melhor na próxima semana (se bem que o calendário já não é tão favorável).

Se o que o Pedro Santos diz é verdade, consigo compreender os longos períodos de ausência do L.Nunes (claro que como adeptos, tínhamos o direito a informações desse tipo...). Também me parece claro que esta é, sem sombra de dúvidas, a melhor dupla de centrais...

Saudações Académicas